terça-feira, 27 de agosto de 2013

Rodrigo, o resignado - II


Filharada corre pela casa
e a mãe está atrás
andando calma, tudo é paz

- Cheguei, amor

Ele vai na sala
pega um cobertor e senta
está acostumado com o tapete
e com o frio

É alguém que aceitou o vazio
vestiu as máscaras analgésicas
que prendem hoje, sua mácula
como n'um curativo fixo

ele não reclama
algumas pessoas são felizes
ele também, mas sabe
que anos atrás
abriu mão, não soube enxergar
no meio da ilusão, a deixou partir
sem mesmo pedir, a sua mão

Entretanto
é um homem de sonhos realizados
resignado
ele vive sorrindo
mas não pelos usuais motivos
aceitou, transcendeu
Internou-se em si mesmo, realizou-se

Viveu a vida, viu seus sonhos na frente dele
e os vê, todo dia correndo pela casa.


Encontrou
enfim
paz. 




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