domingo, 28 de julho de 2019

Palavras


Palavras me vem e tão logo me fogem 
como se eu pudesse segurar a verdade
em minha mão e tão logo me escapasse 
por entre os dedos que não apreendem

seriam todas as explicações fáceis de ter 
se as palavras certas fossem faladas 
mas elas escapam, e fico, ficamos 
sem ter ao que recorrer

senão aos livros metódicos de velhos 
há muito falecidos e seus ditos antigos 
não mais são a nossa linguagem 
a sociedade perece no perene 

e a língua... ah! a língua 
ela sempre ferina e nunca ausente 
em um tempo em que todos tem voz 
há a profusão de opiniões em nós 

tomando por conta apenas o individual 
sem o "nós", a palavra vai perdendo sentido 
e sendo de todo, trivial, banal é a escolha 
de que narrativa seguir, sendo que há sempre o refletir 

mas não antes de cuspirmos a lama da alma 
para depois pedirmos - CALMA!  
não me julguem por pequenas palavras 
quando o quadro pintado é segundo minhas próprias velarias

Então a palavra se funda no mais inóspito campo 
onde acham que ela se perde em meio ao tempo que passa
porém, em um tempo que não há memória 
seguir lembrando é verdade, pois a palavra é eterna. 

Rômulo Cesco

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