terça-feira, 23 de julho de 2019

Angústia


Qual o sentido dessa angustia toda
que me assola de tempos em tempos
quando no caminho vejo seguindo
há ainda a sensação de uma dever descumprido

a arte me chama enquanto a mente diz que não vale
como hei de viver entre hienas distribuindo flores de afeto ?
fui forjado nas mágoas de futuros não ditos
bem como uma vida que me foi planejada mas está em declínio

como quem canta pra ossanha, peço que me enterneçam os mistérios
para que eu lhes ofereça pros meus que vem de longe e neles não creem
quem foi que demonizou a vida antiga e disse ser essa de trabalho maldoso a sagrada
vivendo para sobreviver com lampejos de alegria, com a sanidade em cheque

Sou daqueles que ainda vão achar novos caminhos nessa estrada viva e tortuosa
cada escolha é uma renúncia e minha essência clama pela justiça e pelo novo
vislumbro como virtuosa e mais cheia de gente e cores, sem ceder pra tristeza dos tempos
sigo sentindo a angústia que me leva a não acomodar, hei de vencer, hei de somar.

Rômulo Cesco

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