segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ode ao isolamento

Desconheço meus sentimentos
desconheço o mundo
desconheço os sorrisos 
mudos de cordas suaves 

Mansos ao olhar 
ao virar 
tornam-se ferozes inimigos
cunhando findável bondade 

De hora marcada com o sofrimento 
doses pequenas de veneno 
respirar é causa mortis 
todos são sabidos, não basta aconselhar 

Hoje informação é de tela em tela
não mais de mão em mão 
boca a boca já era 
vira a noite é contradição.

Um comentário:

  1. "há um pássaro azul no meu coração

    há um pássaro azul no meu coração
    que quer sair
    mas eu sou demasiado duro para ele,
    e digo, fica aí dentro,
    não vou deixar
    ninguém ver-te.
    há um pássaro azul no meu coração
    que quer sair
    mas eu despejo whisky para cima dele
    e inalo fumo de cigarros
    e as putas e os empregados de bar
    e os funcionários da mercearia
    nunca saberão
    que ele se encontra
    lá dentro.
    há um pássaro azul no meu coração
    que quer sair
    mas eu sou demasiado duro para ele,
    e digo, fica escondido,
    queres arruinar-me?
    queres foder-me o
    meu trabalho?
    queres arruinar
    as minhas vendas de livros
    na Europa?
    há um pássaro azul no meu coração
    que quer sair
    mas eu sou demasiado esperto,
    só o deixo sair à noite
    por vezes
    quando todos estão a dormir.
    digo-lhe, eu sei que estás aí,
    por isso
    não estejas triste.
    depois,
    coloco-o de volta,
    mas ele canta um pouco lá dentro,
    não o deixei morrer de todo
    e dormimos juntos
    assim
    com o nosso
    pacto secreto
    e é bom o suficiente
    para fazer um homem chorar,
    mas eu não choro,
    e tu?"
    Charles Bukowski
    Esse, Rômulo, vale a pena ler
    Forte abraço,
    Jnuário Diniz

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