Sou fogo em labareda
Sangue espalhado no olho
de peito aberto
ódio latente na rua
Nunca olhando na linha
acima ou abaixo
momentaneamente ruim
não se carrega peso-morto
Faço hora extra na crueldade
débito com a bondade
ter o que todo mundo tem
isso nunca foi pra mim.
Vingança é para meu deleite
maquinar é normal
executar é só a parte final
agora é pessoal.
Rômulo,
ResponderExcluirVocê tem potencial. Isto é um fato. Porém, seu potencial precisa ser trabalhado. Isso significa que você terá de suar a camisa. Em se tratando de poemas, as palavras, óbvio, têm que possuir uma "alma". Se preferir, "uma essência". Somente aquilo que chamam de "inspiração" não compreende um ciclo completo de criatividade. Veja um exemplo: o novo disco do Chico Buarque. O Chico levou quase dois anos para criar 9 músicas. Foram mais de 2 meses para acabar cada uma das letras de suas composições. Você tem que fazer o mesmo com os seus poemas. Escrever, reescrever o poema, mantendo a ideia central e trabalhando cada palavra ali colocada. Um dicionário é essencial. Erros com a linguagem todos nós cometemos, mas como você está postando um trabalho de cunho literário, todo cuidado é pouco. No poema "lá!", por exemplo, o verbo analiso aparece escrito com a vogal "z". O Fernando de Moraes que escreveu o livro "Olga", entre outros, diz que primeiro escreve um livro com tudo aquilo que ele filtrou da pesquisa. Uma escrita seca. Depois, ele reescreve o livro diversas vezes até que fique "sonoro" aos olhos do leitor. A palavra "sonoro" sou eu quem está inventando. A maioria dos grandes mestres da literatura tem praticamente o mesmo método. O José Saramago disse uma vez que conseguia escrever uma página por dia. "Está de bom tamanho", afirmou. Veja, o Nobel de Literatura, Saramago, passava o dia todo escrevendo uma única página. Tente imaginar como era o processo de criação do Saramago. Você já leu "Memorial do Convento"? Se a resposta for não, peço que leia.
Aliás, Drumond, Oswald e Mário de Andrade, Gregório de Matos e tantos mais, já passaram pelo seu crivo? Leia e faça anotações na própria página do livro sobre o uso das palavras e sobre a ideia central. Se não compreender, vá atrás de respostas. A Internet pode trazer essas resposta até você.
Se você quiser ser bom no que faz, em termos literários, volto a frisar, terá de suar a camisa e, talvez todo esse suor seja pouco. Será preciso transpirar além desse pouco. Você, meu poetinha, escolheu um caminho pedregoso, cheio de percalços e armadilhas. Agora não reclame das dores nos pés. Abraços.